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SUBCONTRATAÇÃO NA INDÚSTRIA DO CALÇADO

UMA CADEIA COMPLEXA DESDE O PRODUTOR ATÉ AO RETALHISTA

Os trabalhadores a domicílio trabalham em péssimas condições para produzir mercadorias que têm um alto valor comercial. A complexidade das cadeias faz com que seja difícil para os trabalhadores a domicílio reivindicarem os seus direitos porque muitas vezes não sabem quem é responsável para as decisões.

As mulheres trabalhadoras a domicílio desempenham um papel chave nas cadeias globais de fornecimento. A maioria dos retalhistas de calçado já terceirizam a fabricação dos sapatos a empresas menores, que, na sua vez, podem dar o trabalho às oficinas e aos trabalhadores a domicílio. Essa cadeia de fornecimento muitas vezes atravessa vários países. Na medida em que os retalhistas procuram abaixar cada vez mais os custos de produção e a rapidez, essa pressão é transmitida por toda a cadeia, resultando em uma remuneração mais baixa e mais insegurança para os trabalhadores.

Pode você seguir a cadeia? Depois de ler o seguinte texto, pense em aspectos como - com quem é que você ia falar se for um trabalhador a domicílio a tentar melhorar as suas condições de trabalho? Quem seriam os seus aliados chaves?

‘AB’ Lda é um retalhista britânico de roupas e calçado. Em 2007, AB tinha mais que 500 lojas no Reino Unido, na Europa, nos EUA e no Médio Oriente, para além das suas vendas através dos catálogos e da Internet. AB concebe o desenho do sapato e envia-o para uma segunda empresa ‘CD’, através de um intermediário numa cidade italiana (Z). O intermediário entrega o trabalho de volta ao AB Lda é recebe uma percentagem como pagamento; AB Lda visita CD apenas duas vezes por ano para negociar os preços, os tamanhos e as quantidades. CD é um subcontratador italiano - uma pequena empresa artesanal, com 8 empregados, numa vila chamada Y. 90% da produção de CD é para AB Lda e a empresa é responsável para todos os elementos da produção e do fornecimento das matérias primas.

A empresa CD verifica que os modelos e os desenhos são certos e combinam. Uma vez que se estabelece um acordo sobre os desenhos e as quantidades, compram-se máquinas especializadas de uma empresa que se especializa nessas máquinas. CD compra as matérias primas e os acessórios: couro de um grossista local que trabalha com uma fábrica italiana de curtumes; cola, fios, fivelas etc. são comprados localmente; compram-se as solas de uma outra empresa especializada. O trabalho de cortar o couro é subcontratado a cortadores de couro que trabalham por conta própria e trabalham para várias empresas diferentes. Quando as gáspeas (a parte de cima do sapato) talhadas chegam, a empresa CD corta o couro em excesso e marca as peças. O trabalho de coser as orlas, coser as gáspeas e aplicar as decorações é subcontratado para 11 trabalhadores a domicílio, alguns dos quais são registados e outros não. Dois artesãos locais encaixam as gáspeas nas formas de plástico. A própria empresa CD trata de juntar as gáspeas às solas, onde as formas de plástico são retiradas e as etiquetas da empresa AB são inseridas. Os trabalhos de acabar, tingir, polir, etiquetar e embalar os sapatos são feitos internamente pela empresa CD, enquanto as caixas são compradas de uma outra empresa especializada e ainda uma outra empresa italiana trata de transportar o produto final.

Demasiado confuso? Pode descarregar um diagrama desta cadeia de subcontratação para ter uma ideia mais clara:

Subcontratação na indústria italiana de calçado

Este é um diagrama de uma cadeia de subcontratação associada à produção de sapatos na Itália para uma empresa no Reino Unido.

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