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Dados sobre a indústria de calçado

Esta página contém informações sobre a situação dos trabalhadores a domicílio na indústria global de calçado.

Qual tipo de trabalho fazem os trabalhadores a domicílio na indústria de calçado?

Os trabalhadores a domicílio principalmente cosem as gáspeas de couro dos sapatos, que depois são enviadas à fábrica para serem coladas às solas. A quantidade de trabalho que têm que fazer pode depender do estilo de sapato que os retalhistas querem – então um sapato ao estilo dos mocassins tendem a significar mais trabalho para os trabalhadores a domicílio

Quando há prazos urgentes os trabalhadores a domicílio muitas vezes trabalham dias a fio sem parar para acabar todo o trabalho a tempo. Os modelos mais complicados podem significar que os seus preços por hora abaixam. Alguns dos trabalhadores a domicílio tiveram que fabricar as suas próprias ferramentas para fazer o trabalho.

Protecção para os trabalhadores a domicílio na indústria de calçado

Quanto do trabalho na indústria de calçado é feito por trabalhadores a domicílio?

É difícil chegar a uma figura exacta do número de trabalhadores a domicílio que trabalham no sector do calçado. Todavia, as organizações parceiras em todo o mundo descrevem circunstâncias semelhantes e preços semelhantes para os trabalhadores a domicílio. Por exemplo, os nossos parceiros na Malásia e na Bulgária ambos afirmaram que muita da fabricação tradicional à base das fábricas já acabou e cada vez mais trabalho é enviado para os trabalhadores a domicílio que são pagos menos que os trabalhadores nas fábricas.

Há quaisquer leis internacionais para proteger os trabalhadores a domicílio?

A Organização Internacional de Trabalho (OIT) já adoptou a Convenção sobre o Trabalho a Domicílio (177) mas até agora foi ratificada apenas por cinco países (a Irlanda, a Finlândia, a Holanda, a Argentina e a Albânia). Para saber mais sobre a Convenção, clique no título à direita sobre “Construindo à base da convenção da OIT”.

Há quaisquer leis nacionais para proteger os trabalhadores a domicílio?

A protecção legal para os trabalhadores a domicílio varia muito de país em país. Alguns países oferecem muita pouca protecção, por exemplo, nos EUA, enquanto em outras nações os trabalhadores a domicílio têm acesso a formas de protecção como o salário mínimo, por exemplo no Reino Unido.

Todavia, a existência de legislação para proteger os direitos dos trabalhadores a domicílio não significa necessariamente que vão ver uma melhoria nas suas condições de trabalho. Por exemplo, no Reino Unido, os preços por peça que não avaliam realisticamente o tempo necessário para completar uma tarefa podem significar que os trabalhadores a domicílio recebem pagamentos que são menos que o salário mínimo. Na Roménia, as organizações averiguaram que a maioria das mulheres não tinham conhecimento das leis que existiam para as proteger e que não havia nenhum sindicato que podia defender os seus direitos. Em todo o mundo os trabalhadores a domicílio são isolados e muitas vezes têm medo de perder o seu trabalho, que faz com que seja mais difícil para participarem nos sindicatos.

Se os trabalhadores não têm conhecimento da legislação ou se têm medo de perder o seu trabalho pode ser difícil reivindicar os seus direitos.

Porque é que os trabalhadores a domicílio continuam a trabalhar com condições tão más?

Embora a remuneração não seja suficiente para viver de uma forma sustentável, pode oferecer um aumento no rendimento geral da família. Os trabalhadores a domicílio têm medo de perder esse rendimento a mais e podem não encontrar trabalho alternativo devido a outros compromissos familiares ou a prestação de cuidados, e por isso é muito difícil deixarem do trabalho. Muitas vezes dependem num único fornecedor de trabalho na área local porque pode ser difícil para as mulheres “comparar” os melhores preços que são pagos se não tiverem acesso a formas de transporte ou se tiverem outras responsabilidades domésticas.

Calculando os preços por hora

Uma trabalhadora a domicílio na Bulgária é paga por peça por cada par de sapatos que completa. Para um par de sapatos que pode ser vendido ao consumidor para até £200, ela recebe cerca de 35 cêntimos de um euro. O salário mínimo na Bulgária foi estabelecido a 60 euros por mês, todavia, os trabalhadores a domicílio dizem que, para se sustentar, uma família de quatro pessoas precisa de 200 euros por mês, quer dizer o equivalente de 570 pares de sapatos por mês. Para ganhar um ordenado adequado os trabalhadores a domicílio teriam que trabalhar 88 horas por semana.

“Por exemplo, os trabalhadores a domicílio na área do calçado buscam os sapatos às cinco da tarde e têm que devolver as peças à oficina antes das dez horas da manhã seguinte … Há castigos bastante severos se o trabalho não for feito bem, segundo os requerimentos do subcontratador.”

Organizadora, Bulgária

As vendas de sapatos no Reino Unido

Desde 2000, o mercado de calçado no Reino Unido viu um forte crescimento e os preços dos sapatos continuaram a abaixar. Em 2001, as vendas totais de calçado no Reino Unido (incluindo a IVA) eram £ 6,3 biliões.

Houve um crescimento nas cadeias globais de subcontratação na indústria do calçado, em resposta à concorrência cada vez maior entre os retalhistas. As lojas que antigamente podiam ter enfatizado as vendas de roupas agora estão a aumentar as suas gamas de sapatos e tiveram os maiores ganhos do crescimento do mercado de calçado. As mulheres britânicas possuem, na média, 14 pares de sapatos, enquanto os homens possuem cerca de 6 pares. O preço médio que os consumidores são dispostos a pagar para um par de sapatos é cerca de £ 46.

Muitos dos sapatos são fabricados na China, no Vietname e no Brasil e houve um crescimento nas importações baratas do Extremo Oriente que resultou numa descida dos preços e estimulou a procura para sapatos de moda a preços económicos.

A razão principal para fazer a terceirização para o Extremo Oriente são os baixos custos da mão-da-obra. Todavia, as empresas da Europa Ocidental continuam a fabricar pelo menos uma parte dos seus sapatos na Europa do Leste. Por exemplo, numa área da Bulgária, há milhares de trabalhadores a domicílio que cosem sapatos. A indústria continua a procurar uma redução dos custos de produção e do tempo de fabricação.